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Por Ruy Jobim Neto 04/05/2009
Conhecido e reconhecido internacionalmente como o fundador do revolucionário Teatro do Oprimido, Boal inspirou gerações em todo o mundo. Em suas práticas de ensino e utilização do teatro, Boal utilizou-se do Método Paulo Freire para que acontecesse uma transformação social através da arte. No método do Teatro do Oprimido, o público era transformado em ator. Boal foi o criador do sistema “coringa”, o que tornou possíveis inúmeras experiências cênicas. Foi muito utilizado no Teatro de Arena de São Paulo, do qual Augusto Boal foi um dos líderes e co-criadores (ao lado de José Renato). Nas palavras do próprio Boal sobre o Teatro do Oprimido: “O Teatro do Oprimido é o teatro no sentido mais arcaico do termo. Todos os seres humanos são atores - porque atuam - e espectadores - porque observam. Somos todos 'espect-atores”. Boal era formado em Qúimica pela UFRJ, nos anos 50. E enquanto fazia seu PhD em Engenharia Química, nos Estados Unidos, estudou Artes Cênicas na Universidade de Columbia, em Nova Iorque. Estudou também Dramaturgia na School of Dramatics Arts (também em Columbia), com o escritor e ensaísta de teatro John Gassner - que por sua vez foi professor de dramaturgos como Tennessee Williams e Arthur Miller. Nessa mesma época, Boal assistia às montagens teatrais do Actor’s Studio, de Lee Strasberg (que utilizava em larga escala o Método Stanislavsky). Sua primeira direção teatral, ao retornar para o Brasil, foi Ratos e Homens, uma versão da novela clássica do autor americano John Steinbeck. A montagem rendeu a ele o Prêmio Revelação da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte). Um dos livros mais importantes de Boal é 200 Exercícios e Jogos para o Ator e o Não-Ator Com Vontade de Dizer Algo Através do Teatro (publicado no Brasil pela Editora Civilização Brasileira) e foi vertido para várias línguas, reverenciado por diretores teatrais e professores de teatro importantes como o francês Jean-Pierre Ryngaert. Em março de 2009, Boal foi nomeado pela Unesco como embaixador mundial do Teatro, em Paris.
A perda irreparável do educador, dramaturgo, diretor e homem de Teatro Augusto Boal ainda está para ser contabilizada. As gerações que se seguiram ao seu método e mesmo as que lhe foram testemunhas, certamente tiveram contato com uma idéia popular de teatro, de pensamento, de transformação. |
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