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Flora e fauna da Bahia, 1973 Patrick Maderos Kennedy Dito (Kennedy Bahia)
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Na última quinta-feira, dia 22,
Kennedy Bahia, 86 anos, nos deixou. Filho de uma boliviana e um inglês,
Patrício Kennedy Maderos, nascido no Chile, resolveu ser Bahia na Vida. Dificilmente se poderia querer um baiano melhor.
Além de ter criado e produzido, com continuidade, alguns dos desenhos mais difundidos que espalham uma estética singular e inconfundível da Bahia, Kennedy Bahia esticou a cidade do Salvador para além da Pituba, que era seu limite nos anos 1960, com uma construção - a de seu atelier - que era às vezes "boas vindas", às vezes um "até logo" que não deixava de se reter na menina dos olhos, pela singular mistura de cores das tapeçarias e quadros com uma linha moderna e reta, que abençoava os namorados no único jardim a eles consagrado no Brasil, que ficava em frente.
Além de ter dado novos contornos artísticos à representação do elemento negro na cultura baiana, Kennedy Bahia era - também - mestre. Como mestre, foi a única pessoa nesta vida que dedicou algumas tantas horas acreditando que este cronista um dia soubesse fazer algo com o traço. Se não aprendi a desenhar ou pintar, ao mestre Kennedy Bahia devo a noção do quanto o ato de ilustrar é singular e merecedor de respeito. Decerto, a estas horas, suas curvas e retas estão se entrecruzando em meio a campos alvos, num lugar que merece gente como ele.