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Capitão Mistério e os Quadrinhos europeus
Por Roberto Guedes
15/02/2011

Outro dia mesmo, enquanto organizava minha coleção de revistas, deparei-me com alguns exemplares antigos da importante revista portuguesa O Mosquito, uma das mais tradicionais publicações de Banda Desenhada (Histórias em Quadrinhos) de nossa pátria irmã, que, durante 50 anos, apresentou em suas páginas um leque de personagens e autores dos mais variados e ricos: de Lee Falk a Jayme Cortez, de Jesus Blasco a E. T. Coelho, de Mandrake a Cuto.

Infelizmente não tenho muitas edições de O Mosquito, na verdade, as que eu possuo, já são de seus estertores em 1986, adquiridas há mais de 20 anos na saudosa livraria Muito Prazer, localizada na Av. São João, capital paulistana.

Uma dessas é o Almanaque O Mosquito 1986, que destaca em sua capa o aventureiro (quase super-herói) Capitão Mistério, criado em 1944 por Emílio Freixas, o “poeta da linha” – de acordo com artigo interno, redigido por Manuel Dominguez Navarro.

Freixas nasceu na Espanha, em fins do século 19. Nos anos 1930, começou a ilustrar para uma revista de cinema, e, logo depois, contos de Julio Verne. Continuou no ofício de desenhista até durante a Guerra Civil Espanhola, ocasião em que se voluntariou para lutar.

Dono de um estilo clássico que para muitos lembra o do norte-americano Alex Raymond (criador de Flash Gordon), Freixas criou uma série de sete livros chamada Lições de Desenho Artístico, que se constituiu num verdadeiro campeão de vendas do gênero didático. Doravante, idealizaria obras como A Palavra de Jesus e As Parábolas, também de boa aceitação ante o público.

Capitão Mistério foi bolado por Freixas a partir dos argumentos de Angel Puigmiguel. Dono de força prodigiosa e ágil no manuseio de armas brancas, veste apenas um capuz que esconde sua face, e tem como amigos inseparáveis Pancho, um gigante de ébano, e Fred, um garotinho sardento. Não por acaso, suas aventuras evocam às de paladinos como Fantasma, Mandrake e Jim das Selvas – todavia, igualmente bem escritas e belamente delineadas.

Freixas faleceu em 1976, deixando seus fãs desconsolados. Profissional apaixonado por seu trabalho, disse certa vez:

“Um desenhista brilhante tem de ser, em minha opinião, um poeta da linha e da mancha; mas, em princípio, da linha. Quanto mais poesia se desprender dela, mais inspirada e genial será a sua obra.”

Realmente... um poeta da linha!

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