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A Saga dos super-heróis brasileiros
Por Edgar Smaniotto
17/04/2011

Os super-heróis são considerados por muitos acadêmicos e quadrinistas brasileiros como um subproduto literário americano típico. Discordamos totalmente desta avaliação, até porque o gênero esta presente em quase todas as mitologias do mundo. Mas, realmente é nos Estados Unidos que, como entretenimento e cultura de massa, os super-heróis têm atingido seu ápice. Isto não quer dizer que o gênero tenha se dado mal em outras bandas. Um bom exemplo disto é o género faroeste, que pode ser tido como genuinamente americano. Certo? Mas muitos de nós, inclusive este resenhista, acompanha o gênero por quadrinhos como Tex, Zagor e Mágico Vento, todos eles italianos. Quanto ao gênero de super-heróis propriamente dito, podemos ver muitos quadrinhos de sucesso pelo mundo afora, não americanos. Afinal o famoso mangá e anime Dragão Ball não é super-herói assim como uma boa parte dos mangas, ou é? E que dizer de Asterix? Resulta que sou um defensor da possibilidade de escrever boas histónas e criar bons personagens em outras paragens. No Brasil, país que sempre consumiu muita história em quadrinhos de super-heróis, esta é sempre uma possibilidade em aberto. Na verdade muitas boas propostas de super-heróis legitimamente brasileiros já foram produzidas ou estão sendo produzidas. Muitas vezes á crítica a estas iniciativas são promulgadas por artistas e intelectuais avessos ao gênero em si, não importando o lugar onde está sendo produzido. Defendemos uma visão imparcial e menos preconceituosa! O resgate do gênero no Brasil foi feito pelo quadrinista, editor e jomalista Roberto Guedes, ele mesmo criador do super-herói Meteoro, no livro a Saga dos super-heróis brasileiros (Editora Opera Graphica ). O livro narra a trajetória das grandes e pequenas editoras, dos selos independentes e dos fanzines de super-heróis editados no Brasil. Na maioria das vezes sem o apoio de grandes editoras, e por isto impossibilitados de vencer a barreira de vendas e marketing dos quadrinhos de Super-Heróis Marvel e DC. Quando contaram com o apoio de grandes estruturas midiáticas, casos dos personagens Garra Cinzenta, Judoka e Capitão 7, estes conseguiram uma vida editorial e sucesso comercial para além das três ou quatro (se tanto), edições artesanais tão comuns no Brasil. O livro conta com depoimentos de vários profissionais do meio e suas visões sobre como fazer super-heróis em terras brasileiras. Os quadrinistas que se aventuram no gênero muitas vezes são tidos como imitadores, sem criatividade. Muitos acham que o Brasil só pode produzir histórias em quadrinhos de humor, pornografia, terror e históricas. Imagine se Maurício de Sousa, criador da Turma da Mônica, que na atualidade praticamente domina o mercado brasileiro, relegando as HQs infantis da Disney a um segundo plano quase invisível, tivesse esta mentalidade. Há no livro uma gama de relatos sobre as particularidades de uma infinidade de personagens: Garra Cinzenta, Velta, Judoka, Escorpião, Raio Negro, Capitão 7, Jerônino, Solar, Meteoro, Cometa, entre outros. 

Apresentando ao leitor esta fantástica, e muitas vezes desconhecida 'fauna", que merece ser redescoberta e apreciada. Ao terminar o livro, o leitor chegará à conclusão que não só é possível criar super-heróis genuinamente brasileiros, como muitos já estão por ai. Só falta algum editor ver! Um resgate interessante e necessário que Guedes faz. Indispensável para quem quer conhecer a fundo a história dos quadrinhos brasileiros, e para quem deseja criar seu próprio personagem. Afinal aprendemos com os erros e acertos de nossos predecessores. Boa Leitura!

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