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7 VIDAS: reencarnação e autoconhecimento em quadrinhos
Por Edgar Indalecio Smaniotto
24/02/2011

Reencarnação e autoconhecimento são os temas centrais do álbum de histórias em quadrinhos autobiográfico de André Diniz, com arte de Antonio Eder, 7 VIDAS:  A aventura de uma pessoa em seus passados (Conrad Editora, 2009).

A história gira em torno da vida do quadrinista André Diniz, que em um momento conturbado de sua vida busca autoconhecimento, e para tanto recorre à terapia de vidas passadas. Daí segue-se duas linhas condutoras da narrativa: em uma acompanhamos Diniz em sete reencarnações anteriores, trazidas a tona nas seções de regressão, na outra acompanhamos a vida do quadrinista atualmente.

No decorrer da narrativa, os contatos entre as vidas passadas e a vida atual de Diniz vão sendo reveladas, e então fica claro o porquê a terapia de vidas passadas esta longe de ser uma atividade “lúdica”, como muitos parecem acreditar, mas ao contrário, uma jornada de autoconhecimento, que pode ajudar o indivíduo a relacionar-se melhor com o mundo e as pessoas, e a compreender e significar sua própria vida.  

A história começa com o personagem principal (o Diniz), prestes a descer uma escada em meio à escuridão. A apresentação da obra, através de uma técnica usada por terapeutas a fim de possibilitar a imersão do paciente em seu subconsciente é um bom aperitivo do que espera o leitor.  A partir daí adentramos o mundo simbólico das seções terapêuticas, que revelam pouco a pouco as técnicas usadas para a regressão, os efeitos no corpo e na memória, as sensações, os sentimentos e a descoberta de vidas passadas.

Cada vida passada seja um empresário gaúcho, um religioso italiano, um órfão peruano, um mago, e etc., vai revelando alguns carmas ao longo de suas existências, e como eles afetam sua vida atual. É ai que entra a terapeuta, que ao final de cada seção, com a pergunta “Qual foi o saldo dessa sua vida?”, ajuda o paciente na busca do autoconhecimento.

O artista, Antonio Eder, ao longo da narrativa, consegue com muita competência recriar graficamente as sensações vividas por Diniz. Sua arte da uma complexidade, e ao mesmo tempo uma leveza extraordinária aos temas tratados.

Sobre reencarnação, um tema daqueles que nunca teremos realmente certezas científicas, mas apenas místicas e individuais, apesar das pesquisas em parapsicologia estarem avançando nos últimos anos, seu uso  terapêutico ainda é controvertido.

Mas vale o comentário da terapeuta de Diniz nas paginas 17 e 18: “Na verdade, as regressões podem ser muito proveitosas até mesmo para quem não acredita em vidas passadas. Se essa pessoa encarar as regressões como um mergulho no inconsciente ou algo assim, qual o problema? A forma como você interpreta o que vê não é o mais importante. Se você revive uma cena, é porque precisa revivê-la. Seja uma lembrança de sua vida passada ou algo que seu inconsciente criou”.  Uma posição bastante madura com relação à reencarnação e terapia de forma geral.

Afinal, recentemente, toda e qualquer forma de terapia, mesmo aquelas acompanhadas há muito tempo pelo selinho da verdade científica (seja lá o que isto quer dizer após a revolução paradigmática de Thomas Kuhn), estão tendo suas bases solapadas. Em um livro publicado recentemente na França, o filósofo Michel Onfray, coloca inclusive sob suspeita Sigmund Freud, pai da psicanálise, tido pelo filósofo não como cientista, mas como curandeiro (Revista Filosofia: Ciência & Vida, ano V, nº 52, p.8-14).

Mas afinal esta atividade de cura psíquica realmente não é o que xamãs vêem fazendo desde épocas pré-históricas, apenas sistematizadas modernamente? Creio que sim!  Mas voltando a história em quadrinhos, o álbum é uma valiosa contribuição para quem quer entender o processo de atribuir significados às imagens do inconsciente, na busca do autoconhecimento.

Como afirma o próprio Diniz em entrevista ao site Impulso HQ “Em nenhum momento afirmo nada além do fato de que vi tal coisa e tive essa ou aquela reação. Até porque, acho que isso é o principal. Se foram apenas cenas do meu inconsciente, por acaso perdeu o valor? Eu fui em busca de autoconhecimento, e foi isso que eu tive” (disponível aqui).

Um ótimo trabalho que aborda questões como carma, almas gêmeas, pessoas que estão presentes em todas as nossas existências, causas e conseqüências etc., além de esmiuçar questões da vida cotidiana de todos nos: como perdas, sonhos, vingança, pessoas importantes para nós e família, de forma clara e poética. 

Parodiando a terapeuta do Diniz: Qual o saldo que podemos tirar desta HQ para nossa vida? Basicamente, que o importante é tentar alcançar nossos objetivos na nossa existência atual, tenhamos outras ou não, e lógico, se divertir muito com esta ótima leitura.

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