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Russ Manning: Entre robôs e mundos que o tempo esqueceu
Por Mario Latino e Marcio Baraldi
16/11/2010

Russ Manning nasceu na Califórnia, no ano de 1929, e estudou Arte em Los Angeles e Nova Iorque. Em 1950 foi para a guerra de Coréia, mas se livrou do campo de batalha graças as habilidades na prancheta. No período que durou o alistamento passou ilustrando manuais e cartazes do exército americano.

Já dispensado do Exercito, em 1952, começou a trabalhar com a Western Publishing que editava livros de Tarzan para a editora Dell. Iniciou trabalhando na série Irmãos de Lança, que desenhou de dezembro de 1952 a outubro de 1966. Era um desenhista rápido e seguro, isto lhe permitiu, ao longo da sua carreira, trabalhar em vários títulos ao mesmo tempo sem perder a qualidade em nenhum deles. Em 1954 começou a trabalhar na revista do Tarzan e em 1964 desenhou a serie Korak, o filho de Tarzan. Enquanto isso, nas horas vagas, emprestou o traço sóbrio e elegante a adaptação de séries de TV como "77 Sunset Street" e "Meu Marciano Favorito".

Em 1963 a Western Publishing resolveu lançar uma série nova de ficção científica em quadrinhos. Manning, que então era considerado o melhor desenhista da casa, ficou com a responsabilidade de tomar conta da nova série. A história se chamava Magnus Robot Fighter (no Brasil, Magnus contra os Robos)!

O primeiro número de Magnus Robot Fighter trazia já a estrutura geral do que a série viria a ser. Num futuro distante, no ano 4000, a humanidade teria se acostumado à boa vida enquanto as máquinas trabalhavam. Neste mundo de tecnologia avançada, problemas como fome e doença estariam totalmente resolvidos. Mas como nada e perfeito, num determinado momento as máquinas se rebelam e passam a tentar dominar a raça humana, indolente e preguiçosa. Eis que então surge Magnus, forte e corajoso, a antítese do que a humanidade se tornara. Magnus era uma espécie de Tarzan do futuro, só que ao invés de ser criado desde criança por macacos, foi criado por um robô, que o treinou física e mentalmente para defender a humanidade.

A revista foi um sucesso de vendas e a qualidade do trabalho agradava aos leitores. Manning caprichava no visual, prestando especial atenção aos robôs e máquinas, os quais desenhava com charme e maestria. A aceitação dos leitores foi tão boa que em determinados momentos da série, Magnus chegou a vender mais exemplares que o bam-bam-bam Super-Homem. Foi uma das séries mais carismáticas e saudosas dos anos 1960! O sucesso de Magnus fez a editora investir em uma outra série de ficção-cientifica, The Aliens, também desenhada por Manning.

A revista de Magnus era desenhada por Manning no tempo que sobrava de seu trabalho com Tarzan. Mesmo assim, a qualidade era impecável! Em 1967 Manning passou a desenhar as tiras diárias de Tarzan e no ano seguinte ficou com as páginas dominicais, após a saída de Jesse Marsh. Com o acúmulo de trabalho, Manning acabou deixando Magnus para outros artistas, porém, o personagem sem Russ Manning não era a mesma coisa. No início dos anos 70, a revista só republicava histórias antigas de Manning. Parou definitivamente em 1977.

Na década de 2000, a editora Dark Horse republicou todo esse material clássico e maravilhoso em TPs de capa dura e papel couchê (tipo Masterworks, da Marvel).Vale muito a pena correr atrás desse material!

Também nos anos 2000, o desenhista Steve Rude, um grande discípulo estético de Manning, produziu uma minissérie em duas edições com um encontro entre Magnus e seu próprio super herói, o Nexus. A minissérie é muito legal e o desenho reproduz com fidelidade o traço de Manning, chegando a causar um agradável saudosismo.

Já em Tarzan, Manning tentou resgatar alguns elementos da interpretação que Burne Hogarth (primeiro artista a quadrinizar o personagem) fizera do Homem-Macaco, sem o preciosismo afetado daquele. Tinha liberdade criativa para fazer o que quiser com o personagem, inclusive escrever histórias novas. Com o passar dos anos e a experiência adquirida em Magnus Robot Fighter, Manning tinha se convertido num roteirista de mão cheia. As histórias desse período passaram a ter uma duração de até oito meses quando a média delas costumava ser entre 8-12 semanas. Era um privilegio que nenhum outro artista teve antes ou depois dele.

O traço leve, limpo, macio e elegante, o domínio anatômico, de luz e sombra e a composição dinâmica garantiram a Russ Manning um lugar de honra, ao lado de Hogarth e Hal Foster, entre os melhores desenhistas de Tarzan de todos os tempos. Com certeza os leitores lembrarão eternamente, com todo carinho, do período em que Tarzan foi desenhado por ele. Se o Tarzan de Joe Kubert era sombrio, sujo e selvagem, o de Manning era o contrário: limpo, asseado, altivo, bem-humorado. Foi sem duvida, a versão mais "civilizada" do Homem-Macaco nos quadrinhos. Vale lembrar que aqueles famosa série de desenhos animados do Tarzan, produzida pela Filmation, nos anos 1970, foi inspirada nessa versão de Manning. Em 1972, Manning passou a tomar conta unicamente das pranchas dominicais de Tarzan, onde realizou um trabalho impecável e memorável também. Os primeiros quatro volumes condensando essas pranchas, em ordem cronológica, foram publicados no Brasil pela saudosa editora Ebal.

Em 1979, com o sucesso de STAR WARS, que recuperara com tudo o gênero ficção-científica, a Lucas Film (empresa de George Lucas, diretor do filme) decidiu lançar tiras e páginas dominicais da série, para popularizá-la ainda mais. Primeiro pensou-se em Al Williamson para desenhar este material, mas este tinha outros compromissos naquele momento. Com isso, a escolha acabou recaindo em Russ Manning, que passou a escrever e desenhar as histórias. Porém, em Star Wars, Manning não tinha todas as liberdades criativas que possuía em Tarzan. Não podia mexer nos personagens nem fazer histórias compridas, que eram sua especialidade. Para evitar problemas acabou deixando os roteiros nas mãos de outros autores e cuidou apenas da arte.

Em julho de 1980, Manning parou de desenhar STAR WARS. Sua saúde já estava abalada por causa de um câncer. Morreu em 1982, com apenas 52 anos. Uma perda precoce e irreparável para o mundo dos Quadrinhos! Seu trabalho fez escola e a influência de seu traço inconfundível pode ser percebida em muitos artistas da atualidade, como o próprio Steve Rude, que estão sempre (re)descobrindo os magníficos mundos de Russ Manning.

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