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Morre Frank Frazetta, mestre dos mestres
Por Mário Latino e Marcio Baraldi
07/07/2010

Morreu aos 82 anos Frank Frazetta, um dos maiores gênios da ilustração mundial e um dos pais e principal nome do gênero "arte fantástica"! Frazetta sofreu um AVC na madrugada desta segunda-feira, dia 10 de maio, e foi levado a um hospital em Fort Myers, Flórida, mas não resistiu.

Poucos artistas conseguiram atingir o grau de soberba vitalidade e energia que este nova-iorquino soube colocar em seus trabalhos. Mais ainda, ele influenciou a todos os grandes ilustradores das últimas décadas, gente como Boris Vallejo, Luis Bermejo, Joe Jusko, Luis Royo, Redondo, Norem, entre outros. No Brasil, o ilustrador mais visivelmente influenciado por Frazetta é o soberbo Mozart Couto.

Foi com as capas feitas para a revista Famous Funnies, lá pelos anos 50, que Frazetta começou a impor o padrão estético que viria a ser sua marca registrada. Mas, antes disso, ele já tinha feito o percurso comum dos desenhistas de histórias em quadrinhos.

Suas primeiras influências na arte seqüencial foram Hal Foster, Elsie Segar e Jack Kirby. Nessa época foi trabalhar na Standard Publications. Aí, o diretor de arte Ralph Mayo, emprestou-lhe dois livros de anatomia para que corrigisse algumas deficiências. Frazetta foi para casa e, entusiasmado, estudou todo o material numa noite! A partir desse dia seu trabalho cresceu em qualidade. Tanto que a Standard encarregou-lhe a história Dan Brand & Tippy.

Após Dan Brand & Tippy, Frazetta mudou-se para a editora EC, onde fez capas para Famous Funnies e Weird Science Fantasy. Em 1952 mudou-se para o Mc Naught Syndicate desenhando a tira Johnny Comet, que foi cancelada um ano depois. Após a desastrada experiência com Johnny Comet, Frank foi trabalhar no estúdio de Al Capp. Por um salário de 500 dólares semanais ele passou 9 anos desenhando a página dominical de Li’l Abner (Ferdinando). O acordo terminou quando Capp, um déspota com seus desenhistas, decidiu arbitrariamente reduzir-lhe o salário. E aí começou o drama.

A "Rainha Egípcia", obra-prima maxima de Frazetta, é sua Mona Lisa. Porém, ao invés do engimático sorriso, um rosto desconcertantemente triste e assustado.

Embora estivesse trabalhando para o mercado de quadrinhos, Frazetta como artista estava sumido. E, pior, após anos desenhando, tinha esquecido como arte-finalizar. Tentando recuperar seu espaço procurou o pessoal da DC, MAD, e EC, sem resultados. George Evans foi o único a dar-lhe trabalho. Mais tarde, Harvey Kurtzman encomendou-lhe alguns trabalhos para a personagem Little Annie Fanny. Foi então que um pôster de Ringo Starr, feito por encomenda para a MAD, chamou a atenção do pessoal do estúdio cinematográfico United Artist. Seu primeiro trabalho para eles foi o pôster do filme What’s New, Pussycat? Repentinamente, Frazetta se viu com mais serviço do que podia dar conta. E em cada trabalho para United Artist ele ganhava mais que em um ano fazendo quadrinhos!

Em 1964, Frazetta conheceu Jim Warren, dono e diretor do magazine de terror e ficção cientifica Creepy. Pelo acordo com Warren, ele teria total liberdade artística para desenhar o que quisesse. Foi então que ele criou algumas de suas mais famosas ilustrações: Bruxa do Mar, Rainha Egípcia e Vampirella, que se tornaram capas da Creepy, foram exaustivamente reproduzidas pelo mundo inteiro e transformaram Frazetta num venerado e influente astro da ilustração fantástica. O pagamento dessa capas na verdade era uma mixaria, mas pelo menos Frazetta estava à vontade e gozando de imensa popularidade. O acordo durou até 1972, quando Creepy faliu. Nos anos seguintes, Frazetta se afastou dos quadrinhos e passou a expor suas pinturas. Fez trabalhos de ilustração por encomenda e ganhou muito dinheiro.

Em 1986 teve problemas hormonais relacionados com a tiróide. Perdeu a vontade de viver e de desenhar. Seu peso corporal de 76 quilos foi para 60. O calvário durou 8 anos nos quais Frazetta perambulava de clínica em clínica procurando uma cura para a doença. Finalmente conseguiu se curar e voltou à prancheta .
Conhecido pelo enorme talento no desenho da figura humana, Frazetta tinha um conceito de força que foge ao padrão estético dos desenhistas contemporâneos. Para ele, a força reside nas coxas, nas nádegas, no tronco quadrado (não triangular), nos tríceps e nos antebraços. E é fácil entender tal conceito quando vemos os homens desenhados por ele, transmitindo uma sensação de força e potência explosiva que dificilmente o ‘estilo Marvel’ conseguiria.

No desenho das formas femininas, Frazetta preferia mulheres carnudas e voluptuosas, mais para Marilyn Monroe que para Cindy Crawford. “É esse tipo de mulher que mexe com nossas fantasias” justificava ele. Frazetta está para a ilustração moderna e contemporânea como os renascentistas Michelangelo, Raphael ou Leonardo estão para a pintura clássica. E é certamente com eles que Frazetta se encontrara agora num céu tão colorido quanto o da Capela Sistina para pintarem juntos e rirem dos tropeços da Raça Humana.
Adeus, mestre revolucionário, que criou um estilo novo, dividiu águas, fez escola e não deixará sucessores a sua altura jamais! Vai-se o homem físico, fica o espírito e obra do artista magnânimo. Alegra-te, Rainha Egípcia, Frazetta é eterno!

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