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Resenha: Mulheres
Por Matheus Moura
17/07/2008

Nova no mercado, a editora paulista Zarabatana Books vem trazendo para o cenário editorial brasileiro de HQs histórias fora do eixo comercial comum. Dividindo suas publicações por tema, a editora mostra a versalidade à qual se propõem abranger. Dentro dessa divisão, há o Gekigá Mangá, um estilo de mangá com uma carga maior de drama. Para a estréia foi escolhido o álbum Mulheres (formato 16 x 23 cm, 160 páginas ao preço de R$ 33,00), de Yoshihiro Tatsumi, um autor contemporâneo a Osamu Tezuka, mas diferente deste é praticamente desconhecido no Brasil.

Mulheres, já de cara, impressiona pela composição gráfica empregada ao livro. Verniz em pontos específicos da capa dão um charme a mais. Curiosidade: o grande Kanji envernizado na capa e usado na lombada, é o da palavra mulher em japonês e pronuncia-se “Onna”. Antes das HQs, a professora Sonia Bibe Luyten introduz o leitor comentando a respeito do autor e sua obra. Bastante útil para contextualizar. Infelizmente a Zarabatana peca em trazer material japonês para o Brasil e não se adaptar a uma tendência de mercado que é o da leitura em sentindo oriental. Para os leitores acostumados com mangás isso incomoda. Dá-se a impressão de que a editora está “nadando contra a maré” ao tomar tal iniciativa. A tradução de placas – e outros textos - nos cenários também é algo que já não pega muito bem. Não custa nada deixar o original e com um asterisco traduzir abaixo do quadro/página.

Quanto à trama. No álbum são seis histórias contando uma parte da vida de seis mulheres. Cada uma com seus problemas, modo de pensar, vida, gostos e motivações. O autor explora bastante o clima pós-guerra no Japão, expondo a depressão econômica e conseqüentemente as saídas encontradas por cada mulher à essa crise. Enquanto existem as ingênuas, também há as maquiavélicas. Já na parte gráfica, Tatsumi possui um traço que e assemelha bastante ao de Tezuka, provavelmente isso se deva à época. Entretanto, diferente de Tezuka, Tatsumi não caricaturiza seus personagens, mantém um traço sóbrio e diminui os olhos dos personagens dando uma característica mais séria a seus personagens.

A Zarabatana acerta em dar início a sua série Gekigá Mangá com Mulheres. Apesar dos pormenores citados acima, vale e muito a pena conhecer este material. Para saber como adquirir este e outros álbuns da editora clique aqui.

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