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Resenha: Yuki - Vingança na Neve
Por Matheus Moura
28/05/2007

Como noticiado aqui, a série em seis edições Yuki - Vingança na Neve, de Kazuo Koike (roteiro) e Kazuo Kamimura (arte) chegou ao fim. A Conrad, com esse lançamento, apostou no sucesso de Lobo Solitário e seu autor, que conta com uma legião de fãs no país e no mundo. E não é por acaso, pois seus roteiros são uma verdadeira aula de como contar uma história. Podemos constatar isso não só com sua série mais conhecida, que tem Itto Ogami e Daigoro como protagonistas, mas também em outras que recentemente foram lançadas no país; uma é, na verdade, um relançamento: Crying Freeman (Panini, originalmente publicado pela Nova Sampa em meados de 1990), que tem a participação nos traços de Ryoichi Ikegami (Sanctuary; Mai – A garota sensitiva – este pela Editora Abril), e mais recentemente, Samurai Executor, lançado também pela Panini agora no mês de maio, o qual trás de volta a parceria de Koike e Goseki Kojima. Uma curiosidade: quem acompanhou Lobo Solitário já conhece o personagem principal de Executor, Kubikiri* Asaemon; Itto Ogami o matou num duelo de decapitadores no volume 5 da versão publicada pela Panini.

Voltemos a Yuki. A trama da série passa por um pressuposto simples: filha tem como meta vingar sua mãe, a qual foi sacaneada por uma corja de mau-caracteres. Entretanto, a forma que Koike dá à narrativa eleva esse simples pano de fundo a algo soberbo. É visível no decorrer de Yuki - Vingança na Neve, elementos comuns às outras séries citadas acima, como por exemplo, Yuki ser uma caçadora de recompensas, ser testada pelos contratantes, ter narrado o desenvolvimento das técnicas mortais da protagonista e mais alguma coisa ou outra.

O que mais diferencia Yuki, além de ter uma mulher como personagem central, são as cenas de sexo lésbico, as quais geralmente têm passagens (quadros) peculiares para indicar o ato sexual. Muito bem bolado e acima de tudo belo esteticamente. Porém, não há somente este tipo de ato no mangá, sendo o sexo bastante utilizado pela heroína durante sua empreitada rumo a consumação de sua vingança. Peculiar é a época narrada, muito bem retratada e destoante do costumeiro Xogunato e que dá uma bom panorama da transição política do Japão medieval para o moderno. Na questão dos traços, Kamimura às vezes é simplista, mas essa aparente simplicidade é suprimida por excelentes ambientes externos e boas cenas de ação. O maior defeito do desenhista é com relação aos rostos.

A Conrad, no geral, faz uma boa editoração do material, colorindo algumas imagens, as quais figuram nas capas, e falha em poucos momentos, como a impressão de quadros muito escuros (fazendo-os ficarem indistinguíveis, chegando a prejudicar a seqüência de leitura); a falta de identidade do mangá, tendo alguns o resumo da edição anterior, outros não; em um o expediente está no início já em outro no final; e não há um sumário. Por fim, Yuki é uma ótima pedida para aqueles que se deliciam com histórias de época, principalmente quando envolvem o Japão; para os que tendem a torcer o nariz – ainda mais se tratando de mangás – este é um bom começo para a quebra de preconceitos.

* Kubikiri, palavra japonesa designada àqueles que decapitam; decapitadores; é a junção das palavras, Kubisuji (nuca) e Kiridooshi (corte). Asaemon, assim como Itto Ogami, foi um decapitador do Governo, entretanto enquanto Ogami matava nobres em rituais de Seppuku, Asaemon executava bandidos condenados à morte. O personagem ainda tinha o cargo de testador de espadas, que na maioria das vezes eram de nobres.

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