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Resenha: Desterrado
Por Cadorno Teles
17/08/2009

Uma fuga pela sobrevivência... O tormento da doença-da-alma... Torak sozinho, banido, separado de seus companheiros... Uma fraude...
 
A inglesa Michele Paver ganhou as manchetes internacionais com sua série, Crônicas das Trevas Antigas, uma aventura juvenil na Idade da Pedra. Ambientada nas florestas européias de 6000 anos atrás, a coleção chamou a atenção pelos contratos milionários e pela pesquisa insólita que a autora fez. Para ajudar a imaginar a vida pré-histórica, Paver viajou para os confins da Finlândia e da Groenlândia, e conviveu com a cultura suni e inuite para assim compor sua narrativa dentro de uma sociedade coletora-caçadora.

Na quarta aventura da série, Desterrado (Outcast, tradução de Domingos Demasi, Rocco Jovens Leitores, 264 páginas, R$ 34,90), o protagonista se vê numa situação assustadora. O jovem, após o confronto com os Devoradores de Alma, foi marcado com o estigma dos corruptores, algo que para os clãs é totalmente inconcebível. Por duas luas, Torak tentou esconder a marca dos “feiticeiros”, entretanto ela é descoberta e um drama se inicia na vida do rapaz. Considerado maldito para viver entre os clãs, é banido pelo clã que até então o acolhera, passa a ser caçado por todos os outros, escarnecido pelo Povo Oculto, o clã do lobo, seu clã de origem; agora Torak está sozinho e em fuga, separado de seus melhores amigos, Renn e seu irmão, Lobo. E o pior, o flagelo da doença-da-alma o consome, levando-o para a tênue fronteira da loucura e da realidade. Assim, o malévolo plano de Seshru, a feiticeira do clã Víbora tem êxito: Torak se torna um pária, desterrado e depreciado por todos. A única que ainda acredita nele, é Renn, que passará por uma série de peripécias para encontrá-lo, mas achará mais do que Torak, sua origem.

Com uma linguagem acessível e envolvente que absorve o leitor nesse mundo antigo, Paver puxa sua narrativa para um equilíbrio delicado, entre o sofrimento dos personagens, fornecendo uma história com mais reviravoltas do que as outras da série. Ao mesmo tempo, as perspectivas de cada personagem são regularmente colocadas ao longo da narrativa, dando a impressão de um seriado de TV. Cada personagem tem sua própria visão de mundo, por exemplo, Renn, luta para aceitar seus poderes xamanistas. Mas é Lobo que é o personagem da série, é impossível ser insensível com a devoção que tem com Torak, sua voz está maravilhosamente bem construída, com vocabulário próprio, distinto, já bem característico dos outros volumes, como quando chama de Alto sem rabo, seu irmão.

Paver habilmente retrata diferentes perspectivas para compor uma sociedade em ação. Não há nada de “primitivo” numa cultura caçador-coletora, são adeptos de tecnologias, socialmente complexos e sofisticados em relação a espiritualidade. Os detalhes do cotidiano – vestuário, alimentação, ferramentas, costumes – são descritos de uma forma engenhosa, e mostra uma cultura enraizada em um forte senso de conexão com o meio ambiente. A loucura de Torak é comparada com o que sente o homem moderno. Sai da sintonia com o que está em sua volta, esquecendo como sobrevive na floresta. A autora procurou aqui, tecer uma critica a nossa sociedade, que não tem nenhuma sintonia com a natureza. Contudo, ao definir sua história numa sociedade já totalmente formada, Paver perde o que mestres como William Golding e Peter Dickinson fizeram, a exploração de questões inerentes à origem humana. Para os jovens leitores uma entusiasmada e ótima pedida. 


Crônicas das Trevas Antigas no Cinema
Desterrado, a quarta aventura de uma emocionante série de aventuras pré-históricas, após Irmão Lobo, Espírito Errante e Devorador de Almas, mais uma jornada há 6000 anos atrás. E quanto ao primeiro filme baseado na série, ficamos na expectativa de que a 20th Century Fox o torne realidade, com Ridley Scott na produção. Aguardemos.



 

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