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Resenha: Persépolis
Por Matheus Moura
01/09/2008

Embalado pelo sucesso do longa metragem inspirado na HQ Persépolis, de Marjane Satrapi, a editora Cia. Das Letras conserta a mancada de ter publicado Persépolis originalmente em quatro partes. Em único volume que possuí preço quase equivalente à um exemplar seriado, o material teve seu valor reconhecido pelo grande público. Claro, isso aliado à indicação ao Oscar de Melhor Longa de Animação de 2007, apesar de não ter ganho.

O livro tem início com um introdução escrita por David B. - o qual não tem indicação de quem seja - contando um pouco a respeito da história do Irã, até a época em que Marjane começa sua narrativa. E tudo começa em 1980, com Marjane em seus 10 anos de idade. Daqui pra frente há um pequeno retrocesso e depois seguimos em linha contínua até sua fase adulta. Durante sua infância e adolescência Marjane se mostra já uma pessoa de opinião e temperamento forte. Não é por acaso, pois com pais liberais e revolucionários é até comum isso acontecer. Não é só pela criação dos pais, mas desde antes, com seu avô príncipe/revolucionário, já vê que é de sangue a veia esquerdista na família.

É justamente por seu temperamento as maiores agruras que a personagem sofre. A partir da década de 1980, acontece no Irã a chamada “Revolução Islâmica”, o que transforma um dos países árabes mais modernos (na época) em um caldeirão efervescente de autoritarismo, dogmatismo religioso e machismo. Pensando na integridade física de sua filha, os pais de Marji (como carinhosamente era chamada por eles) a enviam para a Áustria. Acolhida por uma conterrânea amiga de sua mãe, Marji não passa por bons momentos e acaba sendo enviada para um convento católico, lá as coisas também não seguem como o esperado, o que a leva à uma sucessão de mudanças e por fim no retorno ao Irã. Já em casa novamente, ele segue sua vida, se acostumando à nova rotina de privações e preconceitos que a cercam. Até chegar o dia de seu casamento. Depois do fracasso deste, ela - por vontade própria - decide voltar à Europa.

No decorrer das mais de 300 páginas do álbum, há diversos ocorridos – que não cabem aqui serem descritos. Grande parte deles – a maioria para ser exato – são bem mais completos que os descritos na Animação. Esta por sua vez é muito mais sucinta que o narrado no livro e possui – claro – sua adaptação para a tela. Fora a diferença narrativa da HQ e o Longa, há também a diferença nos desenhos. Na HQ, os traços de Marjane são bem simples, tendo como destaque a expressão dos personagens. Bem interessante é notar a evolução dela no decorrer do álbum. No longa os desenhos mantêm as características do traço da autora, porém o melhora bem, fazendo-o ser mais suave e homogêneo.

Considerado a primeira HQ iraniana, Persépolis encanta do início ao fim. Para alguns a simplicidade dos desenhos pode incomodar, entretanto a complexidade da história a faz sobressair quanto a isso. Lembra um pouco Maus, de Art Spigielman, não só pelo tamanho similar dos livros, mas por cada um ter caráter biográfico, ter traços simples e se passarem durante ditaduras e massacres. A Cia. Das Letras publicou recentemente outro álbum de caráter biográfico da autora, chamado Frango com Ameixas, o qual é baseado em relatos de seu avô. Tendo como referência Persépoles, este deve ser também uma obra de arte. Não deixem de ver a animação e ler a HQ. Não irão se arrepender.

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