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Resenha: Vida Louca
Por Matheus Moura
09/06/2008

Lançado recentemente pela Conrad Editora, Vida Louca (formato 16 x 23 cm, 184 págs., preto e branco, R$ 34,90), de Jaime Martin, sai desta vez em formato único, pois é uma republicação do que já saiu na revista Animal em 1991. E foi também durante essa década, exatamente em 1990, que o autor recebeu o prêmio de Autor Revelação do VIII Salão Internacional de Quadrinhos de Barcelona, como é dito na segunda orelha do álbum, na parte destinada à biografia do autor. Por estarmos falando de extras, essa edição da Conrad, em especial, é bem fraca neste quesito. Há somente as orelhas com informações a respeito do autor e da obra mais duas páginas de esboços. Um material de qualidade como este deveria ter uma introdução que seja, ou ao menos um sumário, já que a HQ é dividida em três partes, além dos esboços. Falta de espaço? Não, pois há uma folha em branco justamente antes da abertura da história. Falha de edição.

Quanto à HQ em si, os traços de Jaime são ótimos, bastante limpos e detalhados. O uso do preto se assemelha muito ao do Quadrinho underground italiano, como explicado na Graffiti #16 e constatado na penúltima HQ da mesma. Interessante a forma como o autor evoluiu a forma gráfica durante o passar dos anos de Vicen, o personagem principal. Na primeira parte é mostrada a mudança de vida do protagonista, quando este se muda com a mãe e a irmã para o subúrbio de Barcelona e lá se depara com uma realidade diferente do que antes estava acostumado. O rapaz que no início de sua adolescência se vê pressionado a fazer parte de um mundo hostil para assim se destacar e acabar por se sobressair com relação aos outros, demonstra medo e insegurança enquanto muda seu comportamento perante a sociedade e sua família. Jaime constrói bem a narrativa mostrando não só como é a vida de Vicen, mas também a dos seus amigos e companheiros de gangue, justificando o porquê de cada um se enquadrar como delinqüente juvenil. Nesta primeira parte os traços do autor estão bastante sóbrios e limpos. Uma impressão: senti como referência a Milo Manara a caracterização de uma prostituta – justamente quando Vicen perde a virgindade.

Antes da segunda parte as coisas mudam bastante. Para começar, há uma espécie de introdução, chamada de Purgatório, que é quando Vicen está preso. Os traços são bastante carregados de sombras, com vários quadros em branco, que dão uma noção de vazio quanto àquele período para o personagem. Na segunda parte, propriamente dita, a narrativa segue com Vicen já liberto. Os desenhos continuam carregados, bem diferente do começo. Toda a personalidade criada antes da prisão e firmada durante o cárcere é acentuada agora com a liberdade. Na terceira parte é contada no que acaba por desencadear toda uma vida de transgressão. Neste último capítulo as páginas são pretas. Isso demonstra bem como anda a Vida Louca de Vicen.

Um diferencial na narrativa é que ela é contada em flashback, um recurso que acabou por enriquecer o texto. Ah! Já estava por deixar passar. Outro aspecto que enriquece, e muito, a narrativa do autor é intercalar aos diálogos e ações, trechos de músicas de bandas de rock underground espanholas. Cada letra tem a ver com a situação narrada. Às vezes tem-se a impressão de que o que está acontecendo foi inspirado nessas canções. Muito bom isso!

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