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Os Dez Melhores Quadrinhos para João Antônio Buhrer
Por Marcio Baraldi
28/02/2011

Blarrrg...Blleerrgg..Grauuurrr... Já estou espumando pela boca, de tão paranóico, com tamanho Festival de Doideras que assola a redação!!! Tô tão nóia que empurrei os pesados arquivos de metal pra frente da porta, pois não quero que entre nem uma formiga mais aqui! Passei a tarde inteira empurrando esses troços pesados e já ia voltar pra debaixo do meu "sofá-abrigo subterrâneo", quando, de repente, a gaveta do arquivo abriu num sopetão e dela saiu, adivinhem quem?!? Ele mesmo! O Senhor Supremo do Reino dos Arquivos Incríveis, João Antonio Buhrer!!! "AHHHH!!!" gritei, dando um salto para trás. "Nada temei!", disse o ser. "Vim apenas trazer-vos minha lista dos Dez Mais de Todos os Tempos!". "E por falar em Tempo, é hora de  mergulhar novamente em minha espiral do tempo em busca de novos achados arqueológicos para meus Incríveis Arquivos! Adeus!". Dito isso, largou a lista no chão e sumiu novamente para dentro da gaveta, deixando um rastro de naftalina cintilante pelo ar. Eu, por minha vez, ao pular pra trás, acabei chutando meu penico da Mônica que esparramou seu conteúdo pela sala toda!!!... Ah, querem saber? Estou começando a achar que esse mercado de Quadrinhos é uma MERDA mesmo!...

Os Dez Melhores Quadrinhos de Todos os Tempos
Por João Antonio Buhrer de Almeida

1 - O Bicho - Fortuna e convidados
Revista independente editada pelo cartunista Fortuna em 1975, com o melhor dos quadrinhos brasileiros e o melhor dos “não enlatados”.  Creio que foi dos melhores projetos de  quadrinhos já feitos  no Brasil! Mesmo sendo uma revista de cartunistas,  não  restringiu-se somente ao cartum e  ao quadrinho de humor, publicou também ficção-científica e  até o quadrinho moderno de um Luiz Gê, que trazia novidades. Segundo alguns, o projeto do Fortuna baseou-se na antiga revista Balão, feita por alunos da USP na mesma época. Fortuna atraiu para sua revista os jovens autores que estavam surgindo como Laerte, Luscar, Guidacci, Nani, etc, mas não esqueceu-se dos veteranos como Luís Sá e outros mestres.

2 - Garagem Hermética - Moebius
Moebius detonou uma revolução nos quadrinhos adultos, principalmente com a revista francesa Metal Hurlant. Garagem Hermética conta as aventuras do Major Grubert, a partir da  hilariante história de um francês em férias num pier. Partindo desta  primeira aventura  a saga vai crescendo, para chegar a  níveis oníricos, com muita ficção científica, humor, esoterismo e bastante non-sense. Moebius já vinha fazendo este tipo de quadrinho moderno e adulto desde 1973, em histórias avulsas de alto calibre publicadas na Metal Hurlant, mas ver um álbum todinho seu foi um verdadeiro regozijo!

3 - Little Nemo in Slumberland - Winsor McCay
No Brasil o personagem ficou conhecido como Little Nemo mesmo, mas tenho notícias  que em algum jornal dantanho foi traduzido como "Carlinhos". Essa exuberante série narra as aventuras do pequeno Nemo que toda noite vai dormir, com a barriga cheia, e assim parte direto para o reino de Morfeu. Outras obras que vieram depois beberam das águas límpidas do autor Winsor McCay. Calvin é um destes notáveis exemplos. Na minha opinião Winsor é um verdadeiro inventor, ajudou a formatar a linguagem dos quadrinhos, ao mesmo tempo em que criou uma obra de altíssima voltagem, moderna ainda hoje, mesmo depois de terem se passado mais de cem anos de sua criação.

4 - Fradim - Henfil
Aqui eu não falo apenas do abusado personagem Fradim, mas do seu histórico gibi, que reuniu as tiras do Ubaldo Paranóico, Capitão Zeferino, Graúna e dos próprios Fradins. Gibi que também era muito bem editado, tendo inclusive uma seção  de cartas, que era um dos pontos altos da revista.  Ela teve periodicidade irregular, mas de vida relativamente longa para um gibi alternativo. Seu primeiro número saiu em 1971, em formato tablóide, e durou 31 números (pelo menos são os que tenho). A última edição é datada de dezembro 1980 e leva o provocativo título de ”Eu matei Lennon”! Quer mais abusado que isso?!?

5 – Mandrake - Lee Falk e Phil Davis
As aventuras do ilusionista que tinha como fiel escudeiro Lothar. O que me encanta nestes quadrinhos criados por Lee Falk e Phil Davis é que este herói era na verdade um mágico ilusionista, um hipnotizador. Induzia as pessoas a acreditarem no que ele queria. Fora isto havia um componente misterioso em suas histórias. Elas tinham um clima de suspense, se passavam em lugares exóticos em paragens estranhas. Mas no final do gibi ficávamos em dúvida, se haviam acontecido ou não estas fantásticas aventuras em mundos paralelos, ou se elas eram apenas  imaginação de Narda.

6 - Histórias de Nenhum Lugar - Xalberto
Xalberto é o Lewis Carrol dos quadrinhos brasileiros! Este álbum publicado pela Massao Ohno em 1979, é uma obra que nunca canso de rever. Faz sentido que uma editora de poesias o tenha publicado, pois são quadrinhos, acima de tudo, poéticos! Neste álbum, Xalberto redesenhou as aventuras nonsense que tinham sido publicadas originalmente na revista Balão, da USP. Escolhi este álbum especificamente, mas poderia ter pego qualquer outra  obra  avulsa de Xalberto, para figurar aqui nesta lista de meus dez melhores gibis de todos os tempos!

7 – Pererê - Ziraldo
Verdadeira maravilha da cultura brasileira esta saga da Mata do Fundão, capitaneada pelo Saci Pererê. Me refiro as duas fases do gibi. Aquela primeira pela O Cruzeiro (1959) e a segunda pela Editora Abril (1975), em que os desenhos são modernizados para aqueles tempos. A Coruja por exemplo deixou de ser general para ser professor. Se alguém me encostar uma arma e fizer eu escolher uma das fases, nestas condições eu fico então com a segunda, da Abril. Acho que ali os desenhos e as histórias foram melhores resolvidas pelo mestre Ziraldo.

8 - Turma da Mônica - Maurício de Souza
Difícil aqui escolher um momento especial  desta turma dos quadrinhos, que me encantou toda a vida. Cresci lendo Maurício de Souza. Desde a Folhinha de São Paulo, toda ilustrada com a turma, a  partir de 1963, quando me alfabetizei, até o aparecimento do gibi da Mônica em 1970. Daí em diante venho lendo Maurício até hoje, sem parar!Até a década de 1980 os quadrinhos de Maurício faziam sucesso mas o Disney os suplantava. De lá para cá foi o inverso, ele conquistou a garotada brasileira, desbancando o Disney. Sempre soube de suas qualidades mas não imaginava que um dia isso pudesse acontecer. Equivale ao filme nacional superar as grandes produções de “‘roliúde”! Mais um grande mérito do Mestre Maurício, o maior quadrinhista infantil da América Latina em todos os tempos!

9 - Wally Wood - (e suas paródias eróticas)
Estas histórias avulsas do maravilhoso artista Wally Wood foram publicadas no Brasil esparsamente, ou então em álbuns que não tiveram circulação regular, como Malícia no País das Maravilhas. São histórias no estilo das paródias da Mad, só que levadas ao  limite máximo da pornografia, mas sempre com humor, num traço espetacular, que dava a seu desenho um ar sofisticado. Não soa nem um pouco baixaria, muito pelo contrário, é uma obra genial e avançada pra época, que soa moderna até hoje!

10 – Chopnics - Ivan Lessa e Jaguar
Tiras de humor de Jaguar, inicialmente publicadas no Jornal do Brasil, para divulgar o lançamento da cerveja Skol, até se tornar uma tira independente. Depois transferida para o jornal O Pasquim. O ratinho Sig, que era o protagonista principal da tira, acabou virando símbolo do jornal, daí estrelando aventuras mil dentro do tablóide de humor. As tiras tinham texto de Ivan Lessa e o desenho de Jaguar. Infelizmente nenhum editor  teve  a coragem de reeditar em livro as aventuras completas dos Chopnics (boemia carioca da década 1960), sendo assim temos que revirar jornais e Almanaques do Pasquim, para poder curtir as incríveis aventuras do Capitão Ipanema ou da Tânia Fossa, outros personagens históricos da tira. Um livro com suas tiras urge que seja feito, pois esta série é, sem dúvida, um dos pontos altos de nossos quadrinhos!

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