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Os Dez Maiores Quadrinhos para Mário Cau
Por Marcio Baraldi
15/11/2010

Enquanto não instalam uma porta nova aqui na redação (já que a velha o Máscara Noturna tacou fogo), empurrei um velho armário pra entrada da sala, improvisando com ele uma porta. E adivinhem quem saiu de trás do armário?!? O Mário Cau, quadrinhista campinense (de Campinas (SP), seus anarfas!) dos mais talentosos e autor da série "Pieces", que já ganhou um livro muito bonito. Mário veio trazer sua lista dos dez gibis mais importantes para sua formação profissional. E agora tá explicado porque ele é um autor tão versátil e competente, é que bebeu das melhores fontes artísticas: Moore, Gaiman, Spiegelman, Hergé, Waterson e outros. Na área nacional reconheceu a importância dos gêmeos Moon e Bá para a construção do moderno quadrinho autoral brasileiro. Enfim, uma lista ótima para um autor idem! Conheçam agora, com detalhes tão somente de nós dois, a lista do Mário! Como?..Que Mário?!?...Aquele que te CAUtou atrás do armário, oras!!!

Os 10 Maiores Quadrinhos de Todos os Tempos
Por Mário Cau

1 – Watchmen - Allan Moore e Dave Gibbons
Simplesmente a maior história de heróis já feita! Alan Moore é um gênio e a arte de Dave Gibbons é primorosa. Desde o lay-out das páginas com seu ritmo quase monótono de relógio à ausência de balões de pensamentos e onomatopéias, tudo remete a “vida real”. Toda vez que releio essa obra, percebo uma ou outra nuance diferente, uma informação que tinha escapado, um detalhe na arte... Se você não se importar com spoilers, eu acho o fato do vilão (que era um dos heróis!) vencer no final, e convencer (quase) todos os heróis de que sua vitória era a melhor solução, simplesmente devastador! Tudo em Watchmen é genial!

2 – Maus - Art Spiegelman
Uma das maiores HQs biográficas já realizadas! É um relato forte, cheio de emoção, cheio de significado. Enquanto o pai do autor relembra seu passado como sobrevivente de campos de concentração nazistas, vemos o contraponto dele no presente, já velho e debilitado. A arte pode parecer fraca a princípio, mas é cheia de recursos inteligentes. Meu favorito é o de usar ratos para representar os judeus e gatos para representar os nazistas. E, quando os “humanos” interagem com ratos, eles passam a usar máscaras de ratos. Simples e genial! Além disso, o Holocausto ainda incomoda muita gente, e conhecer a perspectiva de quem estava lá e sobreviveu é tocante.

3 – Supremos - Mark Millar e Bryan Hitch
O melhor filme de super-heróis que nunca foi feito! Eu me surpreendi um pouco ao fazer essa lista e perceber que coloquei super-heróis, coisa que leio muito pouco. Cheguei a considerar Planetay, Authority, os X-Men dos anos 80... Mas a melhor HQ de super-heróis para mim ainda é Os Supremos! O universo Ultimate da Marvel me fisgou por trazer uma aproximação realista, moderna e próxima da minha realidade. Em Os Supremos, Mark Millar e Bryan Hitch relêem os Vingadores como se eles existissem no mundo atual. Cada personagem é velho e novo ao mesmo tempo. Todos são construídos muito bem. As sequências de ação são formidáveis no traço realista de Hitch.  É ação pura e pesada, muito bem feita!

4 – Sandman - Neil Gaiman
Neil Gaiman é um escritor inigualável, isso é fato e todos sabem. Mas o que ele criou com a saga de Sonho, ou Morfeu, foi grandioso! Ele criou uma mitologia moderna. Criou um panteão de deuses, os Perpétuos, e colocou-os para viver no nosso mundo, com total controle sobre ele. E cada um desses deuses moldava a Humanidade através das Eras, por serem anteriores a todos os outros deuses e entidades. Mas, melhor que isso, é o fato de que eles podem mudar e morrer... Vide Delírio, que antes era Deleite, ou Destruição, que abandona seu posto, ou mesmo o próprio Sonho, que morre e deixa seu ofício a cargo de seu filho. Isso tudo sempre me fascinou na obra de Gaiman!

5 – Tintin - Hergé
Não costumo ler muita coisa de quadrinho europeu. Gosto muito de Blacksad, de Asterix, mas confesso que Tintin é uma verdadeira aula! Uma aula de enredo, de ação, de desenho, de tudo! Quando era criança, me divertia demais vendo o desenho animado na TV Cultura, e não sabia que era baseado numa longeva HQ. Muitos personagens do quadrinho europeu atravessam décadas, mas, diferente dos americanos, eles mantém suas características o tempo todo. Existem equipes dedicadas a continuar o legado desses autores. A cronologia é simples, e é sempre respeitada, assim como a arte. Tintin é fantástico por mostrar várias partes do mundo, sempre com uma aventura divertida, que lembra muito Indiana Jones!

6 – Batman: A Piada Mortal - Alan Moore e Brian Bolland
Minha namorada não é uma leitora assídua de HQs. Lembro que um dia estávamos conversando sobre qual gibi eu emprestaria pra que ela lesse, e falei do Batman, que, junto do Homem-Aranha, são meus personagens favoritos. Ela disse que não ligava muito pro Batman e  foi aí que eu respondi: “Se você for ler UMA ÚNICA história do Batman na sua vida inteira, tem que ser “A Piada Mortal”! Alan Moore de novo, claro, e dessa vez com a arte absurdamente imponente de Brian Bolland! Na minha opinião, a melhor história já feita do Batman! O embate do morcego com seu vilão mais emblemático, tanto no campo psicológico quanto físico é fantástico. Aqui conhecemos um pouco do passado do Coringa, vemos o palhaço do crime ser cretino, aterrorizante, frio, e, vejam só, são e lúcido! A sequência final, onde ele, já sem saída, conta uma piada pro Batman, e os dois riem, como malucos, me arrepia até hoje!

7 - 10 Pãezinhos – Crítica - Fábio Moon e Gabriel Bá
Sou um grande fã dos trabalhos dos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá! Comecei a tomar contato com seus trabalhos em ilustrações aqui e ali, e logo me identifiquei com eles. Percebi que tinha "alguma coisa" ali! Quando fui conhecer mais, percebi que eles tinham um fanzine, o "10 Pãezinhos", e que algumas histórias tinham virado livro. Fui atrás de tudo que pude achar. Foi como se um horizonte maior tivesse se revelado: era possível fazer HQ autoral, com aquela qualidade, aquele sentimento, no Brasil! Mas foi quando li "Crítica", comprado com uma certa dúvida, que tudo se encaixou. Lá eles mostram uma série de HQs curtas, sobre gente normal, vivendo coisas de gente normal. Foi nesse momento que eu, meio perdido com minhas próprias HQs, juntei todas as peças e achei meu caminho! Era aquele o tipo de história que me inspirava e que eu queria contar! Os textos do blog deles, as dicas, as aulas que consegui fazer, com tudo isso, descobri o quadrinho independente brasileiro e percebi que, querendo e correndo atrás, era possível pra mim também! Minha série de HQs "Pieces" tem grande influência dessa fase do trabalho dos gêmeos, e sou grato a eles por terem me proporcionado isso.

8 – Bone - Jeff Smith
Um grande épico! Jeff Smith misturou ação, humor, drama, tudo num grande caldeirão. Ele fez o Senhor dos Anéis das HQs! A saga de Bone começa divertida, e parece mais uma HQ de personagens fofos a lá Disney, mas a história cresce e se torna cheia de subtramas, cheia de segredos, de ação, de diversão.  A arte de Smith é genial também. Ele tem domínio sobre o pincel e nanquim, e aprendi muito com ele nesse quesito. Tudo se move com uma energia que parece absurda para desenhos estáticos. Infelizmente a publicação desse material no Brasil é muito lenta e tive que comprar o encadernado completo importado.

9 - Calvin e Haroldo - Bill Waterson
Outro dia pensando em personagens de tiras, consegui achar o motivo por que amo Calvin e Haroldo. Enquanto Mafalda é política, consciente, crítica,e Charlie Brown é meio pessimista, frustrado, loser, Calvin é hiperativo, surreal, surtado, e até meio autista! Eu prefiro essa visão de mundo, a da criança despreocupada, imaginativa, criativa. Do carinha sem noção, que por vezes parece adulto no que pensa, mas que no fundo, é coração dos mais puros. O primor do desenho de Bill Watterson também é uma coisa perturbadora de tão boa. O que ele consegue imprimir de expressividade naquele menino e seu tigre é coisa de outro mundo! Em suma, Calvin e Haroldo é uma série sobre crianças para adultos, sobre adultos para crianças, e, principalmente, para refletir divertindo-se.

10 – Retalhos - Craig Thompson
Dentro de todas as obras autobiográficas, ou mesmo biográficas, que eu tanto gosto de ler, Retalhos tem, com certeza, o primeiro lugar! Craig Thompson pegou o que poderia ser resumido a uma paixãozinha de férias e transformou isso num épico sobre amadurecimento. Com uma sinceridade que assombra, ele relata sua infância numa cidadezinha do interior, e como tudo muda ao conhecer a bela Raina, que traz pra sua vida uma quantia imensa de significado, poesia e paixão. Um pedaço de vida estendido e explorado ao máximo. Sinceridade à flor da pele. Paixão jovem, pura e inocente. Retalhos fez – e faz – muito barulho por ser assim, tão honesto. E tudo com uma arte de tirar o fôlego! Craig domina o pincel e o nanquim e transita entre o cartum e um traço mais comportado, criando uma narrativa de quase 600 páginas! Quem é desenhista sabe, que não é fácil manter-se fiel e empolgado com tantas páginas, por tanto tempo. Craig, além de ter feito uma das HQs mais tocantes que já li, ainda é um exemplo de profissionalismo, de força de vontade, de poética e de amor ao que faz.

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