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Flash Gordon
Por Gian Danton
13/09/2010

Buck Rogers, Dick Tracy e Tarzan causaram uma verdadeira revolução nas histórias em quadrinhos. O clima de aventura, o desenho realista e os cenários grandiosos conquistaram os leitores.
 
Já não havia mais lugar para as tiras cômicas e um dos maiores syndicates da época, o King Features Syndicate entrou em desespero: fazia-se urgente encontrar alguém que trabalhasse tão bem com a aventura quanto a concorrência. Para isso foi instituído um concurso interno. Quem acabou ganhando foi um ex-oficce-boy da empresa. Seu nome era Alex Raymond e seu personagem era Flash Gordon, um dos maiores sucessos da época.
 
A história estreou num domingo, 7 de janeiro de 1934. Os leitores americanos abriram seus jornais e tiveram um grande impacto. Lá estava um herói novo, diferente de todos os outros que o haviam antecedido. Era a primeira história de Flash Gordon, de Alex Raymond. De lambuja, vinha como complemento o personagem Jim das Selvas - também com desenhos de Raymond.
 
Flash Gordon veio para revolucionar o conceito de aventura. Nela predominava a imaginação: moças bonitas, homens-leão, povos submarinos, princesas estelares, vilões insanos e um herói ariano (exemplo perfeito de conduta e boas intenções) conviviam numa mesma pagina.
 
Flash Gordon não parava. Mal conseguia se livrar de monstros pré-históricos e caia nas mãos de um imperador tirânico. Era como se estivesse passando por um eterno teste de provas.
 
A historieta - que tinha roteiros anônimos de Don Moore - tornou-se um sucesso absoluto de vendas. O traço forte e elegante de Raymond conquistou os leitores e conseguiu dar ao personagem uma imponência que ninguém nunca mais conseguiu.
 
Flash Gordon surgiu para concorrer com o grande campeão de vendas da época, Buck Rogers, mas com o tempo, Flash ultrapassou de longe o seu concorrente do século XXV. Praticamente junto com Flash Gordon, Raymond desenhou dois outros personagens nos moldes dos que já faziam sucesso na época: Jim das Selvas (baseado em Tarzan) e Agente Secreto X-9 (para concorrer com Dick Tracy).
 
“Agente Secreto X-9” era de autoria do famoso escritor policial Dashiel Hammet e transmitia o clima de tensão que os gángsters imprimiam aos anos 30. Detalhe: esse trabalho de Hammet geralmente não aparece nas biografias do escritor.
 
Já Jim das Selvas era, a principio, uma espécie de aventureiro, um caçador intrépido enfrentando todos os perigos da selva. Com o tempo, Jim começou a se envolver em tramas internacionais, mas nem por isso perdeu sua força.
 
Alex Raymond foi um dos maiores desenhistas dos quadrinhos. O seu traço elegante influenciou toda uma geração. Os seus personagens, entretanto, não tiveram muita sorte.
 
Depois da morte de Raymond, no final dos anos 40, Flash Gordon ainda passou por um bom momento no início da década seguinte nas mãos de Dan Barry (desenhos) e Harvey Kurtzman (roteiro). Mas, assim que Kurtzman saiu do roteiro a história perdeu muito do caráter onírico que tinha no início.
 
O grande seguidor autêntico de Raymond a ilustrar seus personagens foi All Willianson, que desenhou três números da revista do Flash Gordon e a tira do Agente Secreto X-9 durante 13 anos.
 
Além do ótimo desenho e das tramas de matinê, terminando sempre em suspense, Flash Gordon é lembrado também pelas antecipações. Foin essa história em quadrinhos que apareceu pela primeira vez a mini-saia, o raio laser e o forno microondas. Em um de seus boletins oficiais, a NASA admitiu que os quadrinhos do personagem foram usados para solucionar problemas de aerodinâmica dos primeiros foguetes espaciais norte-americanos.

Flash Gordon também foi a grande fonte de inspiração para outra grande saga moderna: os filmes da série Star Wars. Como não conseguiu autorização para filmar o personagem, George Lucas resolveu criar a série Guerra nas Estrelas.

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