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Resenha Thor, o filme
Por Jota Silvestre
01/05/2011

Um dos maiores dilemas ao se adaptar um personagem dos quadrinhos para o cinema é: como agradar o leitor habitual – cuja opinião em tempos de Internet pode decidir o sucesso ou não de um filme – e, ao mesmo tempo, atrair os não-iniciados para a bilheteria?

Ainda que um filme destes fosse pensado unicamente para os fãs de quadrinhos, como satisfazer os diferentes grupos que amam ou odeiam determinada fase do personagem, ainda mais um com quase cinco décadas de existência?

Frente a este dilema, os produtores de Thor, que estreia esta sexta-feira no Brasil (uma semana antes de nos Estados Unidos), escolheram o caminho mais arriscado: não mirar num público específico para tentar atingir todos. Deu certo!

O filme dirigido por Kenneth Branagh tem todos os elementos clássicos dos quadrinhos: Odin, Thor, Loki, Frigga, os nove reinos, a Árvore da Vida, a ponte do arco-íris, o Destruidor, os Três Guerreiros, Lady Sif, Heimdall, Jane Foster, os Gigantes do Gelo... Apenas o melhor amigo de Thor em Asgard, Balder, ficou de fora – mas não fez falta.

O que o filme faz é misturar estes ingredientes de uma forma até então inédita, criando uma cronologia própria para o cinema. Assim como nos quadrinhos, Thor é banido para a Terra, sem poderes, a fim de aprender uma lição de humildade; diferente dos quadrinhos, ele não assume a identidade do médico manco Donald Blake nem perde a memória.

E é justamente desta consciência do que ele tinha e do que perdeu – ilustrada magistralmente na cena em que não consegue erguer seu martelo Mjolnir – que nasce sua redenção.

O jovem Chris Hemsworth dá conta do recado e passa bem pela transição do deus irresponsável, impulsivo e arrogante para um príncipe humilde que, agora, sabe que tem muito a aprender.

O desenvolvimento de Loki segue a mesma linha. Como nos quadrinhos, ele é filho do rei dos Gigantes do Gelo e criado por Odin desde muito pequeno; diferente deles, o Deus da Trapaça só descobre esta verdade depois de adulto. Tom Hiddleston está excelente no papel, seja como o irmão dissimulado seja como o governante cruel.

As cenas em Asgard são grandiosas e não têm nada de enfadonhas ou espalhafatosas. Ao contrário, completam o entendimento da trama que resultou no exílio de Thor. Anthony Hopkins empresta a devida majestade ao Todo-Poderoso Odin; os cenários são grandiosos e o figurino, adequado.

O filme tem ação e humor em boas medidas. A cena da batalha contra os Gigantes do Gelo têm tudo o que os fãs de Thor poderiam desejar: giro e arremesso do martelo, invocação de tempestade, voo, raios.
Com tantos elementos para apresentar, a sensação que fica, ao final, é que algumas passagens poderiam ter sido mais bem desenvolvidas. A redenção de Thor é instantânea, rápida demais, e a batalha final contra Loki não aprofunda as diferenças entre a verdadeira natureza dos dois irmãos adotivos.

Ainda assim, a história tem um roteiro bem amarrado e um ritmo que faz os 120 minutos passar sem serem notados.

Ao buscar elementos de 50 anos de histórias para criar uma cronologia própria para o cinema, o filme do Thor acerta a mão. Pode não ser 100% fiel a nenhum período do personagem, mas ainda assim é uma história coerente, empolgante, impactante.

Um dica para os leitores: não perca tempo assistindo à versão 3D. Com exceção dos créditos e de alguns flocos de neve que parecem cair sobre a plateia, não há nada em Thor que justifique o uso deste recurso.

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