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Falando sobre Angelo Agostini
Por Bira Dantas
23/02/2010

Foi uma noite inesquecível. Poder falar sobre Angelo Agostini para uma platéia atenta não tem preço. Ter nesta platéia amigos (professores e alunos da Pandora) como Caio Yo, Fabiano, Kamila, Marcelo Mantovani, Mario Cau, Vitor Gorino, Ricardo, Rubinho, Sérgio e tantos outros foi demais. Mas dividir a mesa com Djota e João Antonio Buhrer arrebentou qualquer boca de balão. São dois apaixonados pelos Quadrinhos e Caricaturas. Djota com seu fantástico site Mundo HQ e João com seus Arquivos Incríveis só abrilhantaram o bate-papo. O pessoal pode folhear edições facsimilares de Don Quixote, Revista Illustrada, Diabo Coxo e ouvir histórias de 150 anos atrás, realmente uma aventura e tanto na vida e obra do genial Angelo Agostini.

Iniciei tocando -o também italianíssimo Verdi- na gaita: Va pensiero, um trecho de sua ópera Aída. Falamos da vinda de Angelo Agostini ao Brasil, suas primeiras publicações. Eu disse que era O Cabrião, imediatamente corrigido por João: "Foi o Diabo Coxo!". Ricardo Quintana (um dos sócios da Pandora) reclamou: "Bira, deixa o João com a parte histórica!". Risos na platéia. Djota questionou se Angelo Agostini foi o primeiro a publicar Quadrinhos no mundo, já que a primeira HQ publicada teria sido um livro de Rodolphe Töpffer em 1842 (27 anos antes de As Aventuras de Nhô Quim). Tive que engolir seco. E mais, que se considerarmos HQ imagens em sequência com mesmo personagem, as pinturas rupestres retratando caçadas, já fariam isto na pré-história. Tem ainda os egípcios com suas histórias narradas graficamente em belas pinturas-murais nas paredes dos palácios. Mas, como ele mesmo disse, este detalhe é mínimo quando se discute um trabalho tão impressionante (e pioneiro) como o de Angelo Agostini.

Seguimos falando das aventuras e desventuras de um artista visionário num país-colônia. Suas lutas contra a escravidão, a hipocrisia, a corrupção. Sua fuga de São Paulo para o Rio. Sua participação em inúmeros jornais e revistas, inclusive como foto-repórter (fazendo storyboards que narravam crimes, aventuras reais ou acontecimentos históricos). Seu apogeu e seu fim. Sua relação comercial com os clientes. Seu caso amoroso extra-conjugal que foi utilizado pelos poderosos de então (os mesmos de hoje, donos das fazendas, dos bancos e da imprensa) para ameaçá-lo e obrigá-lo a fugir do Brasil, indo para Paris. Vimos livros que falam do Mestre, um original de O Malho e cópias de jornais de 130 anos atrás, mostrando políticos-ratazanas se cumprimentando e São Paulo afundada nas enchentes. Nada mais atual. Falamos da genialidade de sua arte (e de como era incompreendida), que só a distância do tempo permitiu que fosse mais ou menos vislumbrada por nós. Falamos de seu trabalho em Diabo-Coxo, O Cabrião, Arlequim, O Mosquito, Vida Fluminense, Revista Illustrada, O Malho, Don Quixote, O Tico-tico...

Mas como disse o João: "Não abordamos quase nada... Faltou falar tanta coisa!". Pois não vai faltar oportunidade. A exposição vai seguir da Pandora para o Centro de Ciências Letras e Artes de Campinas, e lá, haverá mais um debate sobre a obra do Mestre. De lá, fomos até o Bar Sinfonia, próximo à Praça Imprensa Fluminense (quase Vida Fluminense, a revista para a qual Angelo Agostini colaborava), tomar umas cervas e comer umas pizzas. Não necessariamente nesta ordem... O CCLA foi fundado em 1901 por um grupo de cientistas, artistas e intelectuais que decidiram criar na cidade de Campinas uma instituição em que se pudessem reunir para o estudo e a produção de atividades científicas e artísticas. O pioneirismo da idéia, que é notável em termos de Brasil do século passado e a conciliação com os ideais positivistas e republicanos, ressaltam a importância da cidade naquele período. Durante as primeiras décadas deste século, pela própria ausência de um órgão do governo dedicado exclusivamente a cultura, o CCLA reuniu e promoveu grande parte das produções culturais da cidade O CCLA conta hoje com uma Biblioteca de 150.000 volumes, uma Pinacoteca e dois Museus : Maestro Carlos Gomes e Campos Sales, além de uma Galeria de Arte, um Auditório para 220 pessoas, Sala de Leitura e Vitrine Cultural.

E de lá, em maio, a exposição irá baixar na Unicamp, como uma continuidade da discussão que fizemos no Ginásio da Unicamp (Cultura: Diversidade e Magia). Eu, Sebastian Marques e Euzébio Lobo conversamos sobre Magia nos Quadrinhos, Mamulengos e Capoeira. Uma das sugestões que ficaram foi de uma exposição sobre Angelo Agostini. Esperamos que na próxima mesa-branca (ops, digo, redonda), ao som de Chopin na gaitacomo sugeriu o João), o nosso nobre artista Angelo Agostini, também baixe e distribua entre nós toda a sua criatividade e ousadia. Porque humor é isso! E nós precisamos de muito humor! Agradecimentos especiais ao Ricardo Quintana, Amilcar Mazzari e Caio Yo (da Escola Pandora) que batalharam MUITO para que a exposição e o debate acontecessem. Além, é claro, dos 22 artistas que enviaram o seu carinho e reverência através de caricas, charges e cartuns. Quem quiser enviar caricatura de Angelo Agostini ou de seus personagens (como Diabo Coxo, Nhô Quim), envie arquivo (em qualquer técnica), formato A4, 300 dpi, para: biradantas2000@gmail.com. Quem quiser receber os Arquivos Incríveis de J. Antonio, envie e-mail para: jabuhrer.almeida@gmail.com. Quem quiser saber o que rola no mundo dos Quadrinhos e Cartuns, clique aqui.  Para ver as fotos do debate, clique aqui.   

Comentários:
João: "Bira. O santo Agostini pode não ter baixado ainda, mas o Diabo Coxo provavelmente estava rondando ali pelas nossas cabeças. Muito interessante seu cartum, a respeito do evento. Acho interessante que a caricatura nos flagra em pleno envelhecimento, sua autocarictura também flagra que o Bira não é tão moleque assim. Acho bacana que os caricaturistas vão envelhecendo o caricturado com o correr dos tempos. Não os congelam numa determidada idade. Se você for ver o Lula caricaturado no inicio do governo e hoje oito anos depois a caricaura dele envelheceu bastante. Um estudo interessante este né, pouco ventilado, do caricaturista ir envelhecendo seu caricaturado com o correr do tempo. Revendo o cartaz eu descobri que Agostini só vai baixar quando tu tocares uma peça de Chopin na gaita, que está sobre a mesa. Esta é a senha para ele baixar. Eu ouvi o programa na CBN. Fiquei impressionado com o tempo que a radio deu pros quadrinhos, e tempo no radio é uma eternidade. Um minuto no radio é uma eternidade. Gostei, principalmente da educação da repórter, que se mostrou inclusive por dentro do assunto. Mas com isto não quiz saber mais que o entrevistado, e deixou-o falar a vontade, como tem que ser. Repórter tem que aparecer o minimo, o assunto é que é importante. E ela teve sensibilidade pra saber se colcocar no lugar e ouvir. Hoje em dia ninguém ouve ninguém... risos. ab. joão"

Rita: "Nossa, que legal! Parabéns mais uma vez! Um barato te ouvir falando sobre o Agostini na rádio CBN... e adorei o teu Asterix e o Obelix. beijo"

José Francisco Nunes Guerreiro: "E aí Bira "véi", agora "quitutá" famoso, me vende um "otógrafú"? Um abraço do fã(nático) (rsrs) 'braço, el gran Nuñes Guerreiro, o humilde magnífico."

Claudio Martini: "Parabéns. Quero ir esta semana ver a expo na Pandora. Um abraço"

Fabiano Carriero: "Bira Dantas, Djota e João Antonio Buhrer, tenho por mim que são "os três intelectuais" do Quadrinho de Campinas. Como numa boa conversa, a platéia -na sua grande maioria, ilustradores-, podia notar o quanto vale a pena escutar sobre (como o João Antonio Buhrer disse) “um bom cronista” e poder saber que não é dos Americanos o palanque mais alto. Mesmo o Djota discordando de ser ou não Angelo Agostini o primeiro quadrinista, mas deixando bem claro que a importância dele na historia é indiscutível. E claro, a presença do cartunista Bira Dantas (não podia ficar sem a gaita e muita fala) era legal porque ele nos deixava cronologicamente no tempo e explicava as técnicas usadas. Além disso, tivemos os “Arquivos Incríveis” em Xerox e até um original que o João trouxe. Essa mesa redonda sobre um cartunista de 100 anos atrás... deu pra notar que as idéias que ele tinha eram (e são) de um grande revolucionário nas Artes Gráficas do seu tempo (e do nosso). Mostram a importância da Charge para as pessoas da época, e abrem novas portas para outros seguirem seus passos. Sem ele eu poderia nem estar aqui. Agostini, ontem, hoje, sempre!"

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