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As histórias em quadrinhos e sua facticidade quântica
Por Gazy Andraus
11/04/2011

Afinal, a realidade quântica é fato e as histórias em quadrinhos, por possuírem imagens seqüenciadas juntas em uma mesma área permitem que os olhos do leitor perscrutem a página, com o foco principal se estabilizando em determinado quadrinho enquanto a visão periférica varre os outros quadros (anteriores e posteriores) de forma subliminar.

Os subliminares são as mensagens, no caso, visuais, que por vezes passam despercebidas pela visão, mas que, no entanto são captadas pela visão periférica. A diagramação de uma história em quadrinhos, então, é quântica: um elétron pode se portar como onda ou corpúsculo, e sua posição é probabilística, nunca exata. Irá depender do momentum eleito pelo pesquisador, que usa sua mente para a escolha: o objetivo deflagrado pelo subjetivo. Nas histórias em quadrinhos cada cena, cada quadrinho é “parte” de um todo, de um sistema, mas que, não estando desenhado, pede ao leitor para completá-lo mental e intuitivamente, sem que ele mesmo possa ter plena consciência disso.

 Enquanto o olhar do leitor focaliza determinada cena, as outras (anteriores e posteriores à leitura), estão sendo visualizadas de forma menos nítida. Porém, seu cérebro abarca todos os detalhes, numa visualização sistêmica, em que o subliminar informa também. Cada quadrinho é como uma micropartícula atômica: um elétron, nêutron ou próton. O “pesquisador” é o leitor, que elege o momentum para decidir se a partícula “aparecerá” ou não. A que for eleita, de uma possibilidade existencial, aflora como corpúsculo, inundando de informação pan-imagética a mente dual (esquerda/direita) do leitor. Mas se os olhos do “pesquisador” resolverem se afastar da cena eleita e abarcar a página inteira, a “partícula”, a cena, se torna não mais material e sim uma probabilidade ondulatória, junto das demais, espargindo-se em energia quântica. A mente do leitor-pesquisador irá, então, abarcar a possibilidade ampliada, sistêmica.

Então, quando o olhar se dirige ao objeto (no caso, um quadrinho dentre os outros da página), é como se houvesse apenas aquele “objeto”, dentre as possibilidades múltiplas.

Analogia similar retrata o filme Quem somos nós. Um garoto dentro da quadra de basquete explica as possibilidades infinitas, defendidas pela física quântica. Em um primeiro instante, enquanto a fotógrafa que conversa com ele observa o interior da quadra, ela vê uma bola (um corpúsculo, uma possibilidade materializada). Mas, ao redirecionar seu olhar para fora, a cena mostra inúmeras bolas, como  possibilidades realizáveis. A analogia explica a situação das micropartículas, e como se portam, bem como a situação relacional com o pesquisador e sua mente.

Assim, um quadrinho é como a partícula, como a bola de basquete: quando o leitor direciona o olhar, ele a focaliza. Mas, quando ele se afasta, vê outras bolas, outras possibilidades, como outros quadrinhos, que em uníssono, formam um todo complexo, plausível e realizável.

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