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Prêmio Bigorna, um brinde aos Quadrinhos nacionais
Por Henrique Magalhães
22/11/2010

Sempre olho com certa reserva as premiação, em particular as voltadas às histórias em quadrinhos, aquelas que se arvoram de um tom mais democrático, com a participação ampla de leitores, editores e autores. Malgrado as mais nobres intenções, elas estão sempre sujeitas a todo tipo de articulação de leitores, editores e autores, que buscam a legitimação por meio dessas premiações.

Como a disparidade editorial, de distribuição e venda das publicações é enorme, inclusive as formas de circulação, esse caráter democrático acaba não contemplando as particularidades de cada produção, colocando num mesmo nível o que é em princípio desigual. Isto, sem dúvida, penaliza as publicações independentes e locais. Enfim, tenta-se acertar da melhor forma que se imagina, mesmo incorrendo em consideráveis injustiças e omissões.

Não falo com ressentimento ou desprezo. Eu mesmo já fui contemplado com vários prêmios por meu trabalho editorial junto à Marca de Fantasia e por algumas edições em particular. Vale lembrar que em 2010 fui agraciado com o título de Mestre dos quadrinhos nacionais pelo Prêmio Angelo Agostini, honraria das mais generosas num país que tão pouco valor dá aos seus artistas.

Mais importante que esse processo democrático, que tem seus erros e acertos, como é de sua natureza, é uma apreciação balanceada sobre a movimentação no campo da edição e da criação dos quadrinhos no país. Um bom exemplo é o que temos num dos maiores eventos dedicados aos quadrinhos no mundo, o Festival International de La Bande Dessinée d’Angoulême, na França. Lá, uma comissão de notáveis na área decide quais as melhores produções do ano em várias categorias.

Contudo, a escolha não se dá de forma aleatória. Cada álbum, revista, ou fanzine que pretenda concorrer à honraria deve enviar 11 exemplares da publicação para que todos os membros do júri tenham acesso ao conteúdo, julgando as publicações em condição igual de acesso. Pode-se questionar sobre as escolhas do júri, que não são indissociáveis ao crivo pessoal, mas esta é uma constante que nem mesmo o mais democrático processo de seleção pode se isentar.

No Brasil temos agora, uma novidade nessa praia, o Prêmio Bigorna, que está na terceira edição. Este é uma premiação organizada pela equipe do sítio especializado Bigorna, voltado para os quadrinhos e cultura pop. O Bigorna é um sítio que tem ampla participação de autores, produtores e articulistas de todas as tendências e de todo o país. É quase um grupo de amigos que se encontram para discutir e divulgar a arte, mas com uma dinâmica organizacional bem estruturada. No comando estão Marcio Baraldi, Eloyr Pacheco, Humberto Yashima e Matheus Moura, que dão organicidade e equilíbrio ao sítio, e que há três anos correm o risco de agradar ou desagradar o meio com a atribuição do Prêmio Bigorna.

De início, eles deixam bem claro que se trata de uma escolha pessoal, de uma escolha de grupo, e que não tem a preocupação de atingir a unanimidade. Dada a condição, estão livres para premiar quem eles querem, quem acham importante para os quadrinhos brasileiros – o prêmio é exclusivamente para a produção nacional –, quem, em sua avaliação, contribui para o enriquecimento da arte, homenageando, inclusive, aqueles que não estão no foco de outras premiações por estarem fora das grandes editoras ou grandes jornais, ou por simplesmente não terem acesso aos esquemas de promoção – circulação ampla, articulações, conchavos etc.

Dessa forma, sem pretensão de estabelecer o consenso, mas esperando ser uma justa e coerente alternativa, o Prêmio Bigorna visa favorecer a escolhas pessoais, dentro da ideologia do site (atingir os profissionais de Norte a Sul do Brasil), que podem ser contestadas, mas não podem deixar de ser respeitadas, afinal se trata de escolhas de uma equipe conceituada e reconhecida pelo que faz nos quadrinhos e pelos quadrinhos. A terceira premiação do Bigorna está posta, sem a memorável festa de entrega dos troféus como nos anos anteriores, mas com o mesmo prestígio que esse prêmio distingue.

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